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Saiba um pouco mais sobre as flores. Disponibilizaremos aqui dicas e cuidados para o tratamento de flores e plantas. Qualquer dúvida envie-nos um e-mail.

UM POUCO SOBRE AS ORQUÍDEAS

Desde o ano 900 antes de Cristo já se houve falar sobre as orquídeas, a rainha de Sabá preocupada em oferecer um presente à altura de Salomão, rei de Israel, aceitou a sugestão de sua escrava que lhe disse "Ao maior dos reis, leve um buquê de orquídeas", e assim Sheba ( rainha de Sabá) conquistou Salomão. Confúcio também não resistindo ao perfume de uma dessas flores, deixou relatado em seus livros "ram exala perfume de reis". É como o nome de ran ou lan que as orquídeas são conhecidas no oriente. Na Grécia registros dão conta que nos tempos de Péricles um surto de cólera teria sido debelado com infusões de tubérculos da Orchis morio. Em 1450, quando Gutenberg inventou os tipos móveis e imprimiu os primeiros livros, começou a surgir literaturas sobre orquídeas, mas foi em 1750 que o Kew Gardens de Londres catalogou as primeiras 15 espécies. A partir dessa época o interesse pela orquídea cresceu muito, especialmente na Inglaterra, chegando os ingleses a enviar coletores de orquídeas a toda parte do mundo, inclusive ao Brasil. Hoje as orquídeas estão espalhadas pelo mundo todo, temos aqui no Brasil vários gêneros de orquídeas que adaptaram-se bem como as dendrobiuns vindos da Ásia, Ilhas Fiji e sul da Austrália, a arundina bambusifolia que é originária do sul da China, Himalaia e Malásia, estas são algumas das espécies que são tão comuns ao nosso meio que parecem serem originárias aqui do Brasil. Também temos agora as híbridas que são cruzamentos entre espécies afins que originam plantas com várias cores diferentes e até algumas espécies novas, é o caso das BLC - BrassoLaeliaCattleya e LC LaeliasCattleya. Sabemos hoje que temos mais de 35 mil espécies nativas e 65 mil híbridos e a cada dia surge mais cruzamentos.

ADUBAÇÃO

Toda planta necessita de 14 a 17 elementos químicos para ter uma vida saudável. Três deste elementos elas dependem bem mais. São o nitrogênio, o fósforo e o potássio. Cálcio, Magnésio e enxofre ela também necessita em quantidades razoáveis. Por isso, o grupo destes seis elementos químicos é chamado de macronutrientes. Outros elementos são necessários, mas em proporções bem menores. Dai serem denominados micronutrientes. Entre eles citamos o Boro, o zinco, o ferro, o magnésio e o cobre.

Adubos orgânicos

É aquele cujos elementos químicos são provenientes da decomposição de matéria de origem animal ou vegetal. É o caso dos estercos, compostos, farinha de osso e torta de mamona. Para utilizar este tipo de adubação tem que ser ter muito cuidado utilizando doses mínimas de torta de mamona e ou esterco bem curtido para não queimar as plantas nem passar fungos para as mesmas.

Adubos inorgânicos

São obtidos a partir da extração mineral ou do refino de petróleo. E o caso dos fosfatos, cloretos, sulfatos, salitres-do-chile e do famoso NPK.

NPK

NPK é a representação química dos três componentes principais dos adubos inorgânicos, o N representa o NITROGÊNIO, P o FÓSFORO e o K é de POTÁSSIO que como vimos acima são os três elementos que as plantas mais dependem para viver. Abaixo descrevemos a função de cada um destes elementos:

NITROGÊNIO: Este é o componente que as plantas necessitam em maior quantidade. Ele estimula a brotação e o enfolhamento e é o responsável por manter as folhas com sua cor verde (clorofila). Sua carência determina o retardamento geral do desenvolvimento da planta. Uma dose bem aplicada de (N) deixa as folhas das orquídeas mais carnudas e com um verde mais intenso. A falta do mesmo inibe os processos vegetativos, reduzindo o tamanho das folhas e dando-lhes uma cor verde-amarelada. A aplicação em excesso, no entanto, acaba estimulando demais o crescimento, tornado os tecidos flácidos e sem resistências a ataque de pragas e doenças.

FÓSFORO: Junto ao nitrogênio, é fator de precocidade e qualidade. Sua ação principal relaciona-se com a florada e a frutificação, com o desenvolvimento de raízes e o enrijecimento dos órgãos vegetativos, favorece também o desenvolvimento das sementes com melhor poder de germinação. As plantas bem nutridas de fósforo são altamente resistentes às doenças, é uma espécie de catalisador que rege a atividade vital das plantas. A falta do mesmo pode ser notada pelas folhas verde-escuro, com pigmentação púrpura, brotos novos fracos e com pouco desenvolvimento, não produz flores, as plantas sofrem por produzirem poucas raízes e o crescimento é lento demais.

POTÁSSIO: É um macronutriente com um importante papel na vida vegetal, pois é necessário para a formação do amido. açúcares, celulose e outros hidratos de carbono. Sua presença na seiva das plantas é indispensável, principalmente para maximizar os efeitos da adubação nitrogenada. Além de contribuir muito para o desenvolvimento e a saúde do sistema radicular. Quanto o teor de potássio aumenta na seiva, ocorre uma economia de água nos tecidos das plantas. É que o potássio tem a propriedade de regular o fechamento dos estômatos, os poros vegetais, reduzindo as perdas de água pela transpiração e, portanto, conferindo a planta maior resistência à falta d`água e baixas temperaturas.

PLANTIO

Se você tem um jardim grande, com muitas árvores, não perca a chance de cultivar orquídeas ao natural. Neste caso em principio, todo o seu trabalho se limitará a fixar a planta no galho da árvore, você pode também utilizar um pouco de xaxim para amarrar junto com a muda o que ajudará a manter a umidade até que as raízes cresçam. Existem muitas maneiras de se plantar orquídeas, sugiro uma olhada no item TIPOS DE VASOS.


REPLANTIO

Os motivos para se replantar uma planta seriam: O vaso não comporta mais a orquídea, seus bulbos já alcançaram a borda do vaso e as raízes estão para fora. O substrato do vaso já está muito velho a duração média do xaxim é de 4 a 5 anos. A orquídea se desenvolveu bem e queremos fazer novas mudas. Para replantar/plantar suas mudas é só seguir os passos do menu COMO PLANTAR/REPLANTAR.

REGAS

Doses certas de água e luz, aliadas a condições favoráveis de temperatura, são fatores decisivos no cultivo de qualquer planta, principalmente as orquídeas, que caso seja regada ou molhada em excesso causará o apodrecimento de suas raízes. A seguir, algumas regrinhas, truques e macetes que todo orquidófilo precisa conhecer. Mantenha suas orquídeas protegidas do excesso de chuva, para isto faça uma cobertura com sombrite conforme o item CONSTRUA UMA ESTUFA, pois assim diminuirá a quantidade de chuva e com uma boa ventilação. O substrato do vaso deve estar úmido, porem nunca encharcado, o ideal é sempre verificar e só molhar novamente quando o substrato estiver seco, esta rega deve ser generosa, normalmente se molha duas vezes por semana na primavera e verão e uma vez por semana no outono e inverno, porém isto depende muito da região. Independente do gênero ou da espécie, todo orquídea, quando esta em fase de crescimento de novas folhas, precisa de mais água, quando a planta esta na fase de repouso, normalmente após a floração, quando ainda as raízes e o broto não surgiram a necessidade de água diminui. Plantas maiores exigem mais água pois evaporam com mais facilidade, algumas plantas como as miltônias, alguns oncidiuns, micros-orquideas ou sem pseudobulbos, como é o caso do paphiopedilum, necessitam de mais água, devendo também ter uma freqüência maior nas regas, lembre-se que os pseudobulbos são a reserva das orquídeas e se você notar que ele esta murcho indica falta de rega, caso esteja apodrecendo pode ser muita umidade. Evite usar água clorada, o bom mesmo seria usar água de poço ou de chuva, caso isto não seja possível deixe a água da torneira descansar num balde por uma noite isto fará com que o cloro evapore. Tome cuidado com os vaso plásticos lembre-se que eles retêm mais água pois a menos evaporação, não mantenha os vasos sobre pratinhos pois as raízes ficaram sempre molhadas ocorrendo o apodrecimento das mesmas. Plantas recém-plantadas não devem ser regadas nos primeiros 10 a 15 dias, só pulverize as folhas.

LUMINOSIDADE

Devido a uma boa situação do Brasil, dificilmente temos problemas com insuficiência de luminosidade, o mais comum é o excesso de luz. Muita luz dificulta o trabalho da clorofila. Com isso, os brotos novos endurecem e para de crescer, e as folhas e os pseudobulbos ficam amarelos e morrem, pode ocorrer também queimaduras das folhas caso peguem sol direto, causando feridas que são uma porta aberta para fungos e bactérias. A falta de luz enfraquece os tecidos das folhas e pseudobulbos inibindo a floração e permitindo também a ação de doenças. Para se verificar se a quantidade de luz é suficiente basta observar a cor das folhas, se as mesmas estiverem com uma cor de verde-alface, indica que a quantidade de luz está ideal, caso o verde seja mais escuro, tendendo para o verde garrafa, ha insuficiência de luz e se as folhas tiverem um verde-amarelado isto indica que há excesso de luz.

TEMPERATURA

O Brasil devido a sua localização geográfica possui alguns extremos de temperatura, temos frio e geada no sul, sudeste e algumas vezes no centro-oeste e calor nas regiões norte e nordeste, devido a isto temos que tomar certas precauções como por exemplo: Cortar o vento, principalmente o vento sul. Suspender a adubação durante o inverno. Procurar não molhar as plantas onde faz-se muito frio durante a tarde, para que quando chegue a noite as plantas não recebam o frio do final da tarde e da noite. Não transplantar ou fazer podas no inverno. Temos diversos tipos de orquídeas e com adaptações a esta variedade de clima que temos, existem as que gostam de temperaturas mais elevadas em torno de 35º e as que não vão bem abaixo dos 15º. Sendo assim para mantermos nossas plantas em relação a temperatura as sugestões seriam manter as plantas protegidas do vento frio e úmido no inverno e no verão que o calor seja exagerado compensar o mesmo com regas mais intensa e com chuviscos o que deixa o ambiente numa temperatura mais amena.

PRAGAS E DOENÇAS

Como já lemos no capitulo sobre adubação uma planta sadia, adubada corretamente estará menos suscetíveis a doenças, porém sempre corremos o risco em especial com pragas (moluscos e insetos). A nossa principal tarefa para eliminarmos este problemas em nossas estufas dependem de uma boa higienação do ambiente e ao redor dele, sendo assim mantenha sua bancada de trabalho sempre limpa desinfetada, com água e sabão e usando de vez em quando água sanitária. Não acumule ao lado da estufa pilhas de vasos, xaxins velhos, madeiras e outros materiais que possam ser abrigos de insetos e fungos. Algumas doenças podem ser manchas nas folhas, formação de anéis pretos ou avermelhados amarelando as folhas, manchas negras nos rizomas que aos poucos passam para as folhas. O tratamento para estes casos consiste em se separar as plantas afetadas das outras e pincela-las com calda bordalesa um pouco mais grossa e pulverizar todo o orquidário com a calda um pouco mais rala para garantir que a doença não se alastre para o resto do orquidário. Quanto as pragas temos vários insetos como a larva mineira que formam labirintos nas folhas, gafanhotos, lagartas, cochonilhas ( pequenos algodões brancos ), pulgões, tatuzinhos, lesmas e caramujos. Para este tipo de pragas podemos usar um bom inseticidas, tomando o devido cuidado com a proteção, o ideal é pedir ajuda de um agrônomo nas casas especializadas. Para as cochonilhas usar óleo mineral que fecha o poro e as matam por asfixia. Em relação as lesmas e caramujos o único e melhor método seria a catação, temos testado um produto que não se desmancha quando você molha as plantas que tem um resultado razoável, porém depende das lesmas e caramujos irem come-la, por isso nada melhor que cata-las, para isto usamos alguns artifícios como: Colocar folhas de couve-flor, acelga, couve-chinesa estas verduras atraem as lesmas especialmente a noite, aí é só mata-las. Colocar um pratinho com ração para gato, também atraem os bichinhos, se você não tiver gatos em casa, nem no vizinho você pode misturar um lesmicida em grãos porém não pode ser molhada. A noite com uma lanterna verificar as plantas e observar bem nas raízes e folhas, caso encontre mata-las. Pratos com cerveja também atraem as lesmas e caramujos que apos beberem morrem afogados, isto funciona em especial com aquelas lesmas grandes. Se você tem suas orquídeas espalhadas pelo terreno um bom método é manter alguns sapos para que os mesmos se alimentem dos insetos e moluscos, nos temos hoje 6 sapos espalhados por nosso jardim, eles ajudam também a eliminar os chamados tatuzinhos que comem as postas das raízes, eles também podem ser eliminados por catação pois também são atraídos pelas verduras.

MULTIPLICAÇÃO

Existem diversas maneiras de multiplicar orquídeas, particularmente eu acho que vale a pena você as multiplica-las, pois assim você pode fazer intercâmbios, trocando suas mudas com outros orquidófilos do Brasil e do Mundo, com duas mudas ou mais pode-se testar novos locais para determinar em qual seu tipo de orquídea se adapta mais e assim por diante, mais vamos ao que interessa, os tipos de multiplicação e como faze-los:

Multiplicação por divisão de touceiras

Algumas orquídeas produzem touceiras como as miltônias, gomesas, coelogine cristata, cymbidiuns e algumas outras variedades. Para se dividir estas mudas simplesmente desprendemos as raízes e soltamos a planta do vaso tirando um pouco do substrato, dividimos a planta em duas, tomando o cuidado para deixar bulbos com gemas em ambas as mudas, a partir é só seguir os passos do menu COMO PLANTAR/REPLANTAR.
Multiplicação por estaquia

As melhores orquídeas para se fazer estaquia são as dendrobiuns, arundina bambusifolia e o epindrendrum fulgen, pois devido ao seu tipo de bulbo nos permite dividi-los em pedaços e cada um destes pedaços deve ter de 3 a 5 nós. O processo é fácil e consiste em pegar um recipiente grande e com furos no fundo, como se fosse um vaso para orquídeas porém quadrado, dentro dele enchemos de musgo umedecido e colocamos os pedaços lado a lado, logo vocês notaram que começara a aparecer raízes e brotos dos nós, após os pedaços estarem bem brotados e só planta-los normalmente.
Multiplicação por semente

Este é um método um tanto difícil, pois exige do orquidófilo um cuidado maior no preparo dos componentes para a semeadura, normalmente é necessário um pequeno laboratório para a semeadura. Aconselho a leitura do livro Orquídeas manual prático de reprodução de Darly Machado de Campos., pois é um dos livros mais completos sobre o assunto que eu já li. Um dos métodos descritos no livro eu utilizo sempre que é jogar as sementes da cápsula que estoura em cima das raízes de outras orquídeas, pois nessas raízes há um fungo chamado micorriza que é o responsável pela germinação da semente.
Multiplicação por meristema

A multiplicação por meristema consiste em se pegar um broto novo, uma gema dormente, haste floral e até pontas de raízes e a partir daí mantê-los em um meio de cultura e ir dividindo-os até se obter várias mudas, este processo também é chamado de clonagem.

NOMENCLATURA DAS ORQUÍDEAS

A nomenclatura das orquídeas em sua maioria se originam do latim e do grego o que dificulta muito sua pronuncia, aprendizado e guardar o nome. Normalmente muitos orquidófilos não se importam em cadastrar e colocar o nome correto em suas orquídeas, porém eu acho de bom grado manter este costume, pois é muito importante quando se troca experiências com outros orquidófilos de diversas partes do mundo, pois com o seu nome cientifico é possível identifica-la em qualquer lugar. Tenho como costume etiquetar todas as minhas mudas inclusive colocando a sua origem. Mantenho minhas orquídeas cadastradas no excel conforme tabela exemplo abaixo:

Nº Cat Nome Floração Origem
001 Rodriguesia venusta NOV/MAR Estrada das praias
002 Cattleya warczewiczii DEZ/JAN Orquidário Alvorada
003 Oncidium crusiatum MAR/JUL Intercâmbio Dirce


Assim podemos ter um bom controle sobre a quantidade NºCat, saber qual o nome na hora que for preciso, a época da floração e de onde se originou aquela muda.

Muitos nomes tem uma origem interessante por exemplo: A Rodriguesia venusta - teve seu gênero classificado por Ruiz e Pavón, em 1794. Este nome foi dado em homenagem a Manoel Rodrigues, botânico espanhol. A oncidium foi classificado por Swartz, em 1800, o nome deriva do grego "ONKOS", diminutivo de tumor, em razão da calosidade que aparece no labelo de suas flores. A acacallis cyanae foi classificada por Lindley, em 1853, seu nome foi dedicado à ninfa grega Akakallis, amada de Apollo. O nome cattleya foi classificado por lindley, em 1824 e o nome é dedicado a Willian Cattley, entusiasta horticultor inglês.


- Dicas e cuidados com as flores.

     


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